Aroldo Fernandes/Pesquisa "O Tátil Visual do Corpo"
O Tátil/Visual do Corpo:
Figurinos e Ambientações acionando e determinando
a Criação e Concepção Coreográfica
Novembro 2000
"Naturalmente não queremos afirmar que da escolha de um figurino dependerá o destino estético da obra e que o gosto de vestir corresponda ao gosto estético para a pintura, escultura ou mesmo para a música. Porém, acreditamos que se possa constatar uma importância decisiva na escolha de um figurino"

Objeto: A linguagem simbólica do figurino como focalizador da concepção e criação coreográfica a partir da experiência visual.

Finalidade: Analizar os princípios das interfaces entre figurino/ dançarino, suas possíveis interferências no campo comportamental e emocional à partir da mensagem visual desse figurino

Esta pesquisa baseia-se essencialmente numa fenomenologia da exploração coreográfica. Para o dançarino, o espaço referencial de uma coreografia é o mundo dos sentidos, desde o nível da sensação pessoal até os maiores sentidos que a vida possui - o trans-temporal, forte e significativo - subjacente à momentos da realidade cotidiana. As fontes desse universo dos sentidos são várias. Poderíamos dizer que existem camadas de significação superficiais e profundas, mais funcionais ou mais emocionais. Através de movimentos corporais pode-se fazer referências à espaços sociais e pessoais, psicológicos e existenciais, evocando, por vezes, uma memória de âmbito universal - coletiva e trans-pessoal - de imagens arquetípicas (Jung, 1970).
Acreditamos que o contexto de percepção e interpretação de imagens, revela-se como uma área essencial na pesquisa coreográfica, tanto para o dançarino quanto para a espectador. A exploração coreográfica através da investigação de elementos como a linguagem visual do figurino e sua percepção, impõe possibilidades e limitações simbólicas.